quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Resultados da 1ª Semana de trabalhos de campo.


(Em actualização)

O presente post pretende dar a conhecer os resultados dos primeiros trabalhos de campo, relativos á campanha de 2008/09 da Carta Arqueológica do concelho de Évora, efectuados entre o dia 5 e o dia 7 de Agosto de 2008 por Mário Carvalho e João Santos.
Estes três primeiros dias de prospecção tiveram como objectivo principal a georeferênciação de vários sítios arqueológicos inéditos nas zonas Sul, Este e Sudoeste do concelho, identificados pelos signatários e por Manuel Calado ao longo de 2006 e 2007, bem como a prospecção de áreas envolventes a estes sítios. Foram efectuados um total de 36 novos registos durante estes três primeiros dias de trabalhos de campo.

1º - Dia 5 de Agosto de 2008

O primeiro dia teve inicio com a georeferênciação de uma exploração mineira de época Romana, inédita, destinada á extracção e transformação de minério de cobre e ferro, identificada por um dos signatários durante 2007. Na sequência do registo deste sítio procedeu-se á prospecção da área envolvente.

Cartografia sobre Ortofotomapa dos sítios arqueológicos identificados a 05/08/2008

Listagem de sítios arqueológicos identificados e registados a 05/08/2008:

Nº: 1
Designação: Souséis
Tipo: Mina de Cobre e Ferro/Centro de transformação de minério
Época: Romana
Dimensões: Entre 0,5 e 1 hectare
Descrição: Grande fossa circular de exploração de minério, visível no Ortofotomapa, com cerca de 5 metros de raio; grandes manchas de escória, relacionadas com a transformação de minério de cobre e ferro no local.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica de construção (Tegullae, Imbrex e Tijolo); cerâmica comum (incluindo um bordo de Dollium); Percutores de Quartzo; Bigorna em granito.
Observações: Junto à estrada Évora/Aguiar
Freguesia: Torre de Coelheiros
C.M.P.: 471
U.T.M.: m – 595449 p – 4258708
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona quase plana e com escassa vegetação
Data: 05/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 2
Designação: Maceda
Tipo: Achado Avulso
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões:
Descrição:
Materiais Arqueológicos: Percutor de Quartzo
Observações: Identificado junto a um marouço. A vegetação envolvente não permitiu a detecção de outros eventuais materiais arqueológicos.
Freguesia: Torre de Coelheiros
C.M.P.: 471
U.T.M.: m – 594603 p – 4257599
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Arvoredo escasso. Abundante vegetação rasteira.
Data: 05/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 3
Designação: Maceda 2
Tipo: Habitat/ Achados Avulsos
Época: Romana/ Pré ou Proto-história
Dimensões: Cerca de 5 hectares
Descrição: Extensa área repleta de marouços, todos eles contendo cerâmica comum e cerâmica de construção de época Romana. Eventualmente relacionado com a exploração mineira identifica a cerca de 1 km em Souséis.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica de construção (Tegullae, Imbrex e Tijolo) e cerâmica comum; percutores de Quartzo
Observações: A vegetação abundante não permitiu ter uma noção clara das dimensões do sítio e dos seus contextos crono-culturais; devido á sua aparente extensão e á proximidade da mina romana de Souséis e da via Ebora/Pax-Julia, recomendamos uma nova visita a este sitio durante Setembro, depois das primeiras lavras, para uma melhor compreensão das suas dimensões e eventuais funcionalidades.
Freguesia: Torre de Coelheiros
C.M.P.: 471
U.T.M.: m – 594454 p – 4257869
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de ligeira pendente com algum arvoredo, embora disperso.
Data: 05/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 4
Designação: Sitima
Tipo: Caminho/Via
Época: Romano/Medieval
Dimensões: 10 metros de comprimento por 3,5 metros de largura (troço visível)
Descrição: Troço de via, sazonalmente submersa pela ribeira de Souséis. Composto por lajes irregulares de granito.
Materiais Arqueológicos:
Observações: Situada a escassas centenas de metros de Maceda 2 e a cerca de um quilometro e meio da Mina Romana de Souséis. A orientação deste troço de via parece ser, genericamente, Este/Oeste.
Freguesia: Zona de fronteira entre as freguesias de N. Sr.ª da Tourega e Torre de Coelheiros
C.M.P.: 471
U.T.M.: m – 592951 p – 4257183
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Relevo ondulado com pendente em direcção à ribeira de Souséis. Inexistência de árvores.
Data: 05/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 5
Designação: Sitima 2
Tipo: Achados Avulsos
Época: Romana
Dimensões:
Descrição: Dois possíveis fragmentos de Marco Miliário
Materiais Arqueológicos: Dois fragmentos de Marco Miliário
Observações: Durante a campanha de revisão do PDM concelhio, em 2003/04 (Calado, 2003; Calado, Santos e Carvalho, no prelo), foi identificado no Monte da Sitima um marco Miliário e um peso de lagar. O ultimo eventualmente proveniente de Maceda 2, situado escassas centenas de metros a Sudoeste. O marco Miliário e restantes três fragmentos agora identificados poderão eventualmente estar relacionados com a via Ebora/Pax-Julia e seus eixos secundários.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega
C.M.P.: 471
Gauss: m – 216655 p – 166095
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona plana de vegetação rasteira.
Data: 05/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 6
Designação: Zambujal do Conde 6
Tipo: Achado Avulso
Época: Romana/Medieval
Dimensões: Cerca de 50 cm de altura por 40 cm de largura
Descrição: Peso de Lagar em granito
Materiais Arqueológicos: Peso de Lagar
Observações: Situado junto ao Monte do Zambujal do Conde
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega
C.M.P.: 470
Gauss: m – 216091 p – 167828
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona com muitos afloramentos graníticos. Paisagem de montado.
Data: 05/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 7
Designação: Correia 2
Tipo: Habitat/ Pedra com covinhas
Época: Pré ou Proto-história (1ª Idade do Ferro?)
Dimensões: Cerca de 0,5 hectare
Descrição: Habitat implantado junto a afloramentos graníticos; cerca de meia dúzia de covinhas gravadas sobre afloramentos de granito.
Materiais Arqueológicos: Presença de cerâmica manual e cerâmica a torno com ausência de cerâmica de construção; fragmento de dormente de mó de sela; restos de talhe de quartzito.
Observações:
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega
C.M.P.: 470
U.T.M.: m – 589711 p – 4262120
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de suaves pendentes, com vegetação rasteira, pontuada por afloramentos graníticos.
Data: 05/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

2º - Dia 6 de Agosto de 2008

O segundo dia de prospecções teve como objectivo principal o registo de vários sítios arqueológicos inéditos, identificados em 2007 por um dos signatários e por Manuel Calado, na zona da Horta do Albardão, junto ao Degebe. O registo destes sítios foi seguido por uma batida selectiva da zona envolvente, durante a qual foi possível a identificação de novos sítios arqueológicos. Foi também registado um sítio inédito actualmente em processo de escavação no decurso dos trabalhos da EDIA, pela empresa Arqueologia e Património, tendo sido solicitado o envio do relatório de escavação para arquivo no D.C.H.P.C. da C.M.E., após a elaboração do mesmo.

Cartografia sobre Ortofotomapa dos sítios arqueológicos identificados a 06/08/2008

Listagem de sítios arqueológicos identificados e registados a 06/08/2008

Nº: 8
Designação: Horta do Albardão 1
Tipo: Menir
Época: Neolítico
Dimensões: Cerca de 1,20 metros por 0,45 de largura máxima
Descrição: Bloco de granito oblongo
Materiais Arqueológicos: Foi identificado um fragmento de dormente de mó manual de vaivém junto ao menir.
Observações: Este possível menir foi identificado junto a um caminho e terá eventualmente sido deslocado aquando da construção do mesmo. Junto a ele foi identificado um fragmento de dormente de mó de vaivém, provavelmente utilizado como calço no alvéolo de implantação do monumento.
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614150 p – 4258914
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem suavemente ondulada e escassamente arborizada.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 9
Designação: Horta do Albardão 2
Tipo: Menir (?)
Época: Neolítico
Dimensões: Cerca de 3,50 metros de comprimento por 1,20 metros de largura máxima
Descrição: Grande monólito de granito em forma de “lâmina de punhal”.
Materiais Arqueológicos:
Observações: Apenas uma escavação arqueológica permitirá confirmar ou infirmar se se trata de um monumento pré-histórico ou se, por outro lado, se trata de um bloco de granito natural.
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614710 p – 4258840
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem suavemente ondulada e escassamente arborizada.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 10
Designação: Horta do Albardão 3
Tipo: Menir (?)
Época: Neolítico
Dimensões: Cerca de 1,60 metro de comprimento
Descrição: Bloco meniroide, em granito.
Materiais Arqueológicos:
Observações: Identificado junto a um marouço
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614212 p – 4258871
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem suavemente ondulada e escassamente arborizada.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 11
Designação: Horta do Albardão 4
Tipo: Habitat
Época: Romano/Medieval
Dimensões: 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada ao longo de uma suave encosta virada para nascente, adjacente ao Degebe.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica comum e cerâmica de construção (Imbrex e tijolo)
Observações: Na envolvente imediata situam-se três possíveis menires (Horta do Albardão 1, 2 e 3)
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614212 p – 4258871
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Situado ao longo de uma suave encosta virada para nascente, adjacente ao Degebe.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 12
Designação: Horta do Albardão 5
Tipo: Sepultura Proto-megalitica com vestígios de mamoa
Época: Neolítico
Dimensões:
Descrição: Mamoa bem conservada. No topo são visíveis alguns fragmentos de lajes em granito, eventualmente pertencentes a esteios destruídos.
Materiais Arqueológicos:
Observações: Informação de Manuel Calado e Leonor Rocha
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614474 p – 4258904
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Topo de suave colina com arvoramento espaçado.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos


Nº: 13
Designação: Horta do Albardão 6
Tipo: Afloramento com covinhas
Época: Pré ou proto-história
Dimensões: Cerca de 3 metros de comprimento por 2,20 metros de largura.
Descrição: Afloramento de Granito com cerca de 30 covinhas.
Materiais Arqueológicos:
Observações: A partir deste ponto é visível uma sepultura Proto-megalitica (H. do Albardão 5) três possíveis menires (H. do Albardão 1, 2 e 3) e sobre outras duas pedras com covinhas (H. do Albardão 7 e 8).
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614357 p – 4258674
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem ondulada, escassamente arborizada, com linha de água próxima.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos


Nº: 14
Designação: Horta do Albardão 7
Tipo: Afloramento com covinhas
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões: Cerca de 0,50 centímetros por 0,40 centímetros
Descrição: Afloramento de granito com cerca de 20 covinhas
Materiais Arqueológicos:
Observações:
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614347 p – 4258962
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem ondulada, escassamente arborizada, com linha de água próxima.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos


Nº: 15
Designação: Horta do Albardão 8
Tipo: Afloramento com covinhas
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões:
Descrição: Três afloramentos de granito contendem um total de 5 covinhas
Materiais Arqueológicos:
Observações:
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614397 p – 4259009
Rigor: GPS
Valor Paisagístico: Paisagem ondulada, escassamente arborizada, com linha de água próxima.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 16
Designação: Horta do Albardão 9
Tipo: Recinto
Época: Romano/Medieval
Dimensões: Cerca de 20 metros de comprimento por 10 de largura
Descrição: Recinto
Materiais Arqueológicos: Cerâmica de construção (Imbrex e Tijolo) e Cerâmica comum a torno.
Observações: Recinto eventualmente relacionado com o habitat romano situado a escassas dezenas de metros
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 613944 p – 4260315
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem ondulada com escassa vegetação arbórea.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 17
Designação: Horta do Albardão 10
Tipo: Habitat
Época: Romano
Dimensões: Cerca de 0,5 hectare
Descrição: Pequena ocupação situada numa suave lomba encostada á margem esquerda do Degebe.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica de construção (Tegulla, Imbrex e Tijolo) e Cerâmica comum a torno.
Observações:
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 613709 p – 4260282
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Topo de suave colina com escassa vegetação arbórea.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 18
Designação: Horta do Albardão 11
Tipo: Achado Avulso
Época: Romano ou posterior
Dimensões: Cerca de 0, 50m por 0,40m.
Descrição: Silhar em granito
Materiais Arqueológicos:
Observações: Localizado a cerca de 30m das traseiras do Monte da Horta do Albardão
Freguesia: S. Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614028 p – 4258798
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Localizado em suave pendente junto a ribeira. Vegetação rasteira.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 19
Designação: Horta do Albardão 12
Tipo: Habitat (com fossas e silos)
Época: Calcolitico/Idade do Bronze
Dimensões: Cerca de um hectare
Descrição: Ocupação pré e proto-histórica, identificada durante trabalhos de acompanhamento dos canais de rega do Alqueva, que resultou, até ao momento, na escavação de diversas estruturas negativas. O sítio encontra-se no topo do cabeço onde actualmente está implantado o monte das Mestras de Baixo e respectivo marco geodésico.
Materiais Arqueológicos: Bordos espessados e bordos almendrados. Perfil em S; cerâmica brunida; fundos planos sobre cerâmica manual.
Observações: Sitio identificado por uma equipa de arqueologia contratada pela EDIA aquando dos trabalhos de construção dos canais de rega do Alqueva. Escavação sob a responsabilidade da empresa Arqueologia e Património, sediada no Porto.
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 613888 p – 4259620
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Ocupa o topo de suave colina com escassa vegetação arbórea.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos


Nº: 20
Designação: Horta do Albaredão 13
Tipo: Habitat
Época: Romano
Dimensões: Menos de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação implantada numa lomba adjacente ao Degebe.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica de construção (Tegulla, Imbrex e tijolo) e cerâmica comum.
Observações: Identificado por Manuel Calado, durante 2007.
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 614648 p – 4258571
Rigor: GPS
Valor Paisagístico:
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 21
Designação: Colmeias
Tipo: Menir
Época: Neolítico
Dimensões: Cerca de 2 metros de comprimento por 80 centímetros de espessura.
Descrição: Bloco de granito de forma oblonga.
Materiais Arqueológicos:
Observações: Não existem afloramentos graníticos nas imediações. O menir parece estar deslocado e poderá ter servido como marco de divisão de propriedade uma vez que se encontra na confluência de três herdades diferentes.
Freguesia: São Manços
C.M.P.: 472
U.T.M.: m – 612714 p – 4261911
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Topo de colina. Zona de montado.
Data: 06/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

3º - Dia 7 de Agosto de 2008

No terceiro dia de trabalhos de campo procedeu-se ao registo de vários sítios arqueológicos de cronologias Pré e Proto-históricas, identificados ao longo de 2006/07 por um dos signatários, na zona da Serra de Montemuro, próximo de Valverde.


Cartografia sobre Ortofotomapa dos sitios arqueológicos identificados a 07/08/2008


Listagem de sítios arqueológicos identificados e registados a 07/08/2008

Nº: 22
Designação: Alfarrobeira
Tipo: Extracção de Pedra
Época: Romana ou posterior
Dimensões:
Descrição: Afloramento granítico c/ vestígios de extracção de pedra (cerca de meia dúzia de entalhes)
Materiais Arqueológicos:
Observações: Visível da estrada que liga Évora a Valverde.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 588558 p – 4266300
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem suavemente ondulada, próxima de ribeira, com afloramentos graníticos. Zona de montado.
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos



Nº: 23
Designação: Alfarrobeira 2
Tipo: Achado Avulso
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões:
Descrição:
Materiais Arqueológicos: Raspadeira em Sílex
Observações: Descoberta próximo do caminho que liga a Valverde.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 587911 p – 4266052
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Ligeiro cabeço. Paisagem de montado.
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 24
Designação: Alfarrobeira 3
Tipo: Habitat
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões: Cerca de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada em conjunto de afloramentos graníticos adjacentes á ribeira da Viscossa.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual; restos de talhe de quartzito; percutor em quartzo.
Observações: Possível povoado de cronologia neolítica.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 589422 p – 4266535
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem plana próxima de linha de água. Zona de montado.
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos


Nº: 25
Designação: Serra Pedrosa 2
Tipo: Achado Avulso
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões:
Descrição: Raspadeira e fragmentos de pedras com restos de talhe.
Materiais Arqueológicos: Raspadeira em Riolito
Observações: Encontrado em zona baixa, próxima do caminho.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega (?)
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 583673 p – 4265041
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de Serra com eucaliptal.
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 26
Designação: Serra Pedrosa 3
Tipo: Habitat
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões: Cerca de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada num dos últimos relevos da serra de Montemuro, virado para sul, adjacente á planície Central de Évora.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual, percutores, restos de talhe de quartzito, enxó em Anfibulito.
Observações: O sítio encontra-se bastante destruído pelo plantio do eucalipto, sendo poucos e bastante fraccionados os materiais arqueológicos identificados á superfície.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega (?)
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 583497 p – 4264629
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de Serra com eucaliptal
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 27
Designação: Serra Pedrosa 4
Tipo: Habitat
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões: Cerca de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada num dos últimos relevos da serra de Montemuro, virado para sul, adjacente á planície Central de Évora.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual, percutores, restos de talhe (Quartzito, Sílex e Riolito); polidor de machados; Percutor/bigorna/movente.
Observações: O sítio encontra-se bastante destruído pelo plantio do eucalipto, sendo poucos e bastante fraccionados os materiais arqueológicos identificados á superfície.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega (?)
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 583223 p – 4265020
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de Serra com eucaliptal
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 28
Designação: Serra Pedrosa 5
Tipo: Habitat
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões: Cerca de 0,5 hectare
Descrição: Implantado junto á margem esquerda de um dos afluentes da ribeira de Valverde.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual (icluindo um bordo simples e um bordo simples com espessamento indiferenciado e aplanamento dos lábios), percutores, restos de talhe (Quartzito, Sílex e Riolito); lâmina e lamela sobre Sílex.
Observações: O sítio encontra-se bastante destruído pelo plantio do eucalipto, sendo poucos e bastante fraccionados os materiais arqueológicos identificados á superfície. São visíveis materiais arqueológicos num dos cortes, junto á linha de água.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega (?)
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 583303 p – 4264274
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de Serra com eucaliptal
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 29
Designação: Serra 2
Tipo: Habitat
Época: Calcolitico
Dimensões: Cerca de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada num dos últimos relevos da Serra de Montemuro, adjacente á planície que se espraia para Sul.
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual (incluindo bordos espessados e bordos simples); restos de talhe (Sílex, Quartzito e Riolito); Percutores; Moventes e Dormentes de mós manuais de vaivém; machado em Anfibulito; cadinhos de fundição; lâmina e lamela sobre sílex.
Observações: Eventualmente fortificado
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega (?)
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 582973 p – 4264194
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de Serra com eucaliptal
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos


Nº: 30
Designação: Serra 3
Tipo: Habitat
Época: Pré ou Proto-história
Dimensões: Menos de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada num topo adjacente à margem esquerda de um dos afluentes da ribeira de Valverde
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual; restos de talhe (Quartzito e Riolito); Percutor; Movente de mó manual de vaivém.
Observações: O sítio encontra-se bastante destruído pelo plantio do eucalipto, sendo poucos e bastante fraccionados os materiais arqueológicos identificados á superfície.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega (?)
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 582705 p – 4264549
Rigor: GPS
Envolvente Paisagistica: Zona de Serra com eucaliptal
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 31
Designação: Serra 4
Tipo: Habitat
Época: Neolítico Médio; Neolítico Final/Calcolitico
Dimensões: Menos de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada num topo adjacente à margem direita um dos afluentes da ribeira de Valverde
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual (incluindo bordos simples, bordos espessados, sulco abaixo do bordo, carenas, mamilos); restos de talhe (Sílex, Quartzito e Riolito); Percutor; Moventes e dormentes de mós manuais de vaivém.
Observações: O sítio encontra-se bastante destruído pelo plantio do eucalipto, sendo poucos e bastante fraccionados os materiais arqueológicos identificados á superfície. Eventual limite sul do grande povoado Serra 1.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega (?)
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 582527 p – 4264415
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de Serra com eucaliptal
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 32
Designação: Serra 5
Tipo: Habitat
Época: Neolítico/Calcolitico
Dimensões: Menos de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada num topo adjacente à margem direita um dos afluentes da ribeira de Valverde
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual; restos de talhe (Quartzito e Riolito); Percutor; Lâmina em Sílex.
Observações: O sítio encontra-se bastante destruído pelo plantio do eucalipto, sendo poucos e bastante fraccionados os materiais arqueológicos identificados á superfície. Eventual limite Oeste do grande povoado Serra 1.
Freguesia: N. Sr.ª da Tourega (?)
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 582450 p – 4264668
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de Serra com eucaliptal
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 33
Designação: Serra 6
Tipo: Habitat
Época: Calcolitico
Dimensões: Menos de 0,5 hectare
Descrição: Ocupação situada num topo adjacente à margem esquerda um dos afluentes da ribeira de Valverde
Materiais Arqueológicos: Cerâmica manual (incluindo bordo espessados e almendrados); restos de talhe (Sílex, Quartzito e Riolito); Percutores; Lâmina em Sílex; movente de mó manual de vaivém
Observações: O sítio encontra-se bastante destruído pelo plantio do eucalipto, sendo poucos e bastante fraccionados os materiais arqueológicos identificados á superfície. Freguesia: N. Sr.ª da Tourega
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 582719 p – 4265029
Rigor: GPS
Valor Paisagístico: Zona de Serra com eucaliptal
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 34
Designação: Lajes
Tipo: Menir (?) /Marco de divisão de propriedade (?)
Época:
Dimensões:
Descrição:
Materiais Arqueológicos:
Observações: Zona de quintas próximas da cidade.
Freguesia: Malagueira
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 590911 p – 4268526
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem praticamente plana com olival.
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

Nº: 35
Designação: Lajes 2
Tipo: Habitat
Época: Medieval ou posterior
Dimensões: Menos de 0,5 hectare
Descrição:
Materiais Arqueológicos: Cerâmica de construção e cerâmica comum a torno
Observações: Zona de quintas próximas da cidade.
Freguesia: Malagueira
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 590955 p – 4268475
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Paisagem praticamente plana com olival.
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos


Nº: 36
Designação: Lajes 3
Tipo: Sepultura Proto-megalitica
Época: Neolítico
Dimensões: tampa: 1,15m por 1m.
Descrição: Pequena sepultura Proto-megalitica com vestígios de mamoa. O monumento encontra-se bastante destruído embora ainda sejam visíveis á superfície 4 esteios, compostos por lajes de granito, cravadas em cutelo.
Materiais Arqueológicos:
Observações: Zona de quintas próximas da cidade.
Freguesia: Malagueira
C.M.P.: 459
U.T.M.: m – 591067 p – 4268332
Rigor: GPS
Envolvente Paisagística: Zona de suave pendente com olival.
Data: 07/08/2008
Bibliografia: Inédito
Equipa: Mário Carvalho e João Santos

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O Castelo do Giraldo revisitado

O objectivo principal do recém criado espaço "Carta Arqueológica do Concelho de Évora", embora seja a disponibilização de informação relativa à realização dos novos trabalhos de prospecção, passa também pela divulgação de sítios já conhecidos que, quer pela sua grandeza, excepcionalidade, importância arqueológica, paisagística ou condições favoráveis de visitabilidade, consideramos de destaque.
De entre os mais famosos sítios arqueológicos da região de Évora, desde há muito parte integrante das histórias populares e das "lendas" locais, merece destaque o Castelo do Giraldo, ocupado de forma interrupta e diacrónica desde o início do III milénio a.C., até à Idade Média. Aparentemente este terá sido o reduto de Giraldo o Sem Pavor (um intrépido cavaleiro que em 01 de Dezembro de 1166 libertou a cidade de Évora de 451 anos de ocupação Islâmica), facto que ficou para sempre registado no imaginário e toponímia local.
O domínio visual de que goza este sitio permite ao visitante uma visão única sobre a planície central de Évora e relevos adjacentes sendo possível visualizar no horizonte a cidade de Évora, a Nascente, e Viana do Alentejo, a Sul.
As condições de visitabilidade deste sitio são bastante favoráveis e o acesso, através de Valverde, é simples e encontra-se bem sinalizado. Para uma melhor compreensão do sitio e dos seus contextos crono-culturais, recomendamos a leitura da bibliografia abaixo mencionada .
Bibliografia: Afonso do Paço 1962; 1966; Arnaud, 1979; Calado, 1995; Mataloto 1999; Calado, 2005; Carvalho, 2007; Mataloto, Alves e Carvalho, 2007.
Tipo de Sitio: Habitat
Ocupações: Calcolítico; Bronze Antigo\Médio e Bronze Final; IIª Idade do Ferro; Época Medieval.
Materiais: Cerâmica de fabrico manual (incluindo bordos simples, bordos espessados e bordos almendrados; taças carenadas de perfil em S, taças tipo Atalaia, ornatos brunidos, digitações sobre cordão plástico); cerâmica de roda (bordos extrovertidos, asas de rolo, fundos planos côncavos e em pé de anel, cerâmica pintada); barro de cabana; percutores de quartzo; restos de talhe (quartzito, riolito, quartzo, silex, rochas siliciosas, xisto jaspóide e cristal de quartzo); lâminas sobre silex; pontas seta sobre silex, xisto jaspóide e cristal de quartzo; elementos de mó manual de vaivém (moventes e dormentes); contas de colar em xisto; braçal de arqueiro; punhal de Lingueta em Cobre.
Cartografia em C.M.P., folha nº 459, do Castelo do Giraldo e do Povoamento pré e proto histórico conhecido na sua envolvente. Encontram-se também assinalados a Anta Grande do Zambujeiro e a Necrópole de Vale de Rodrigo.
O Castelo do Giraldo visto por Afonso do Paço. (Seg. Paço, 1961).
Materiais pré históricos do Castelo do Giraldo (Seg. Carvalho, 2007)
Materiais proto históricos do Castelo do Giraldo (Seg. Mataloto, 1999)
Troço de muralha, segundo Afonso do Paço, de época medieval.
Vista para Viana do Alentejo, a Sul.
Vista para Évora, a Nascente.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Cartas Arqueológicas publicadas, ou em vias de publicação, em Portugal: a informação disponivel.

(Em Actualização)

Carta Arqueológica do Concelho de Fronteira

Carta Arqueológica do Marvão

Carta Arqueológica do Concelho do Sabugal

Carta Arqueológica do Concelho de Sesimbra

Carta Arqueológica de Portugal

Carta Arqueológica do Concelho de Ourém

Carta Arqueológica Subaquática dos Açores

Carta Arqueológica do Concelho de Cantanhede

Carta Arqueológica do Concelho de Vila Pouca de Aguiar

Carta Arqueológica do Concelho da Guarda

Carta Arqueológica do Concelho de Macedo de Cavaleiros

Carta Arqueológica do Concelho de Vila de Rei

Carta Arqueológica do Concelho de Castelo de Paiva

Carta Arqueológica do Concelho de Castelo de Vide

Carta Arqueológica do Tejo Internacional

Carta Arqueológica do Concelho de Santiago do Cacém

Carta Arqueológica Subaquática do Concelho de Peniche

Carta Arqueológica de Vila Franca de Xira

Carta Arqueológica do Concelho de Montijo

Carta Arqueológica do Concelho de Lousada

Carta Arqueológica do Concelho de Odivelas

Carta Arqueológica do Concelho de Carregado do Sal

Carta Arqueológica dos Açores

Carta Arqueológica Subaquática do Concelho de Cascais

Carta Arqueológica do Concelho da Lousã

Carta Arqueológica do Concelho de Redondo

Carta Arqueológica do Concelho do Alandroal

Carta Arqueológica do Concelho de Mora

Carta Arqueológica do Concelho de Mafra

Carta Arqueológica do Concelho de Sátão

Carta Arqueológica do Concelho de Óbidos

Carta Arqueológica do Concelho de Sousel

Carta Arqueológica da Madeira

Carta Arqueológica do Concelho de Arraiolos

Carta Arqueológica do Concelho da Amadora

terça-feira, 8 de julho de 2008

Mesopotâmia


O carácter excepcional do megalitismo eborense relaciona-se, em boa parte, com a estrutura física da paisagem do Alentejo Central.
Em Évora, confluem, efectivamente, três dos grandes caminhos naturais da Península Ibérica: as linhas que separam as bacias hidrográficas do Tejo, do Sado e do Guadiana.

Essa posição estratégica, em termos de transitabilidade natural, articula-se igualmente com a escolha da localização da Ebora romana, nas proximidades do entroncamento das vias naturais para Augusta Emerita, Olisipo e Pax Iulia.

Megalithica Ebora - Centro Interpretativo

Contributos para a Carta Arqueológica do Concelho de Évora: uma breve história da investigação.

A informação bibliográfica e documental referente à arqueologia do concelho de Évora, é, como seria de esperar, muito variada, em termos qualitativos.
Os dados publicados pelos autores anteriores ao sec. XX (e primeiras décadas deste século) são quase todos muito vagos, sobretudo no que diz respeito à localização dos sítios arqueológicos; no entanto, para além de serem numericamente pouco importantes, estes dados foram, em boa parte, revistos e melhor circunstanciados, pela investigação mais recente.
Nas décadas de 40 e 50 do século XX, destacam-se as obras dos arqueólogos alemães Georg e Vera Leisner (Leisner, 1948-49; Leisner e Leisner, 1956, 1959), cujos métodos de trabalho produziram uma das obras fundamentais para o estudo do megalitismo eborense e não só. Apesar de terem usado cartografia de pequena escala (1:100 000), as indicações que, nos textos, são avançadas sobre a localização de grande parte dos monumentos, ainda hoje são de extrema utilidade. Por outro lado, para além de terem levado a cabo um levantamento bibliográfico bastante exaustivo sobre as fontes mais antigas, os Leisner localizaram e descreveram um elevado número de monumentos inéditos.
Posteriormente, nos anos 60 e 70, verificaram-se significativos avanços no conhecimento do megalitismo regional, graças às descobertas de Henrique Leonor Pina, José Pires Gonçalves e do chamado “grupo do Hospital” que integrou nomes como Galopim de Carvalho e Quintino Lopes. Coube aos primeiros, com destaque para Leonor Pina, a identificação e publicação (Pina, 1971) dos primeiros recintos megalíticos de Évora e de alguns novos menires isolados.
Sobre a época romana, outro dos temas maiores do património arqueológico de Évora, merecem destaque alguns trabalhos temáticos, nomeadamente sobre a rede viária (Saa, 1963) e sobre a epigrafia (Encarnação, 1984), ou ainda uma obra de síntese, à escala nacional (Alarcão, 1988), cujos dados, apesar de substanciais, enfermam, geralmente, de deficiente precisão locacional.
Convém ainda referir que a cartografia geológica, na escala 1: 50 000, contemplou, por norma, alguma informação arqueológica - sobretudo referente a monumentos megalíticos - embora, infelizmente, as notícias explicativas raramente ultrapassem o nível da listagem, sem qualquer elemento descritivo.
Efectivamente, só nos finais dos anos 80 do século XX, se iniciaram, no concelho de Évora, os primeiros projectos de prospecção de superfície, mais ou menos sistemática e de alcance diacrónico.
Um deles teve como objectivo a elaboração da Carta Arqueológica do Concelho de Évora (CACE); coordenado por Jorge de Oliveira (Oliveira et al., 1987), contou com escassos apoios, disponibilizados pelo IPPC, no contexto de um programa de Carta Arqueológica nacional, entretanto abandonado.
Outro projecto desenvolvido na mesma altura foi o Evora Archaeological Survey (EAS), coordenado por Colin Burgess, da Universidade de Newcastle, com o objectivo específico de estudar o contexto arqueológico do recinto megalítico dos Almendres. (Burgess et al, 1987).
Na década seguinte, outros trabalhos de prospecção vieram alargar a base de dados disponível, nomeadamente o projecto dirigido por José Manuel Mascarenhas, no âmbito do Programa Stride (Mascarenhas, 1995), o trabalho de reunião de dados efectuado por António Carlos Silva entre 1998 e 2000 bem como dois outros, dirigidos por Manuel Calado; o primeiro destes incidiu na área envolvente do recinto de Vale Maria do Meio e no traçado da A6, em 1994-95 (Calado, 1995; Calado e tal., 2004), e o segundo na área das Herdades das Murteiras (e propriedades anexas, da Fundação Eugénio de Almeida), em 2001 (Calado, 2001b; 2006a).
Infelizmente, alguns destes trabalhos não chegaram a ser objecto de publicação integral, encontrando-se disponíveis apenas sob a forma de relatórios inéditos. Ainda durante 2003 e 2004 foi também realizada a revisão da parte arqueológica do PDM concelhio (Calado, 2003; Calado, 2005), trabalho este que veio acrescentar cerca de cinco centenas de novos monumentos e sitios arqueológicos das mais diversas cronologias, tipos e implantações.
Ainda nos anos noventa, merece destaque o projecto de investigação sobre os monumentos de Vale de Rodrigo (Kalb, 1993; Kalb e Höck, 1997; Larsson, 2001) que, apesar de apostado fundamentalmente na escavação da necrópole megalítica, não deixou de acrescentar alguns sítios inéditos, na área envolvente dos sítios escavados; também neste caso, se aguarda a publicação definitiva dos resultados.

Seg. Calado, Santos e Carvalho, 2008

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Editorial

O concelho de Évora e o seu vasto património arqueológico são, desde há muito, uma referência a nível nacional. Apesar da actual inexistência de uma Carta Arqueológica do concelho, vários foram os contributos realizados ao longo do século XX e inicios do século XXI que permitiram a criação de uma base de dados de referência para o património arqueológico concelhio, actualmente disponivel na C.M.E. Destaca-se, entre estes, o trabalho de revisão da parte arqueológica do PDM eborense realizado ao longo de 2003 e 2004 (Calado, 2003; Calado, 2005). Os registos actuais (que ascendem aproximadamente às duas milenas) são já reconhecidos como a mais vasta listagem de sítios arqueológicos do panorama nacional. Reflectem uma riqueza inaudita, ainda mal estudada e esparsamente integrada num modelo de interpretação global.
Salvo o estudo de algumas realidades relacionadas com a Pré e Proto História, merecedoras de crescente atenção por parte de inúmeros investigadores, subsistem outro tipo de cronologias que aguardam semelhante investimento.


O que já se encontra feito permite, contudo, uma dedução evidente: estes registos são apenas uma pequena parte do património arqueológico do concelho eborense. É neste sentido que os trabalhos de prospecção no terreno irão ser retomados, recuperando grande parte da equipa que entre 2003 e 2004 se encarregou dos primeiros levantamentos com recurso ao GPS e que, no fundo, integrou os contributos acima referidos, perfazendo uma base de dados sem precedentes em Portugal.
Posto isto, o presente texto serve para dar conhecimento do arranque efectivo dos trabalhos, que se irá desdobrar em inúmeras vertentes e valências, nas quais se conta a formação deste blog.


Numa lógica institucional, cremos ser benéfico deixar aqui expressa a proposta inicial apresentada à Câmara Municipal de Évora, elaborada em conjunto com o Doutor Manuel Calado, coordenador dos trabalhos de 2003/2004.

Proposta para a realização da Carta arqueológica do concelho de Évora:

Na sequência dos trabalhos realizados para esta edilidade por Manuel Calado entre 2003 e 2004 vimos, por este meio, propor o seguinte:

1. Continuidade das prospecções na zona rural do concelho, com inevitável revisão do trabalho já realizado

Dos cerca de 1800 sítios inventariados à data acima referida, alguns verificam-se actualmente desactualizados em termos de avaliação e impacto ambiental. Consequentemente, recentes trabalhos no concelho condensam novos dados (e não são poucos) ainda não introduzidos na base de dados, por manifesta ausência de recursos humanos para o efeito. Assumimos o compromisso de realizar tal tarefa, que se impõe como urgente devido à precariedade de diversos sítios arqueológicos.
Paralelamente, e no seguimento lógico desta tarefa, é fundamental que se prossiga com novas campanhas de prospecção, de forma a colmatar as lacunas territoriais que permaneceram após o trabalho de Manuel Calado.

2. Revisão dos conteúdos e sua organização nas bases de dados existentes

Neste ponto, a nossa proposta resume-se à revisão de alguns sítios não cartografados com a precisão actualmente exigida. Referimo-nos, em particular, àqueles marcados com recurso a cartografia 1.50.000 e 1:100.000, que envolve inevitáveis falhas quando introduzidos em estudos de impacto ambiental e alterações paisagísticas.

3. Criação de uma sistemática de monitorização e actualização constantes dos dados introduzidos

Dado o volume de dados existentes, sabendo de antemão a mutabilidade da paisagem bem como a frequência de novos achados arqueológicos, em particular na sua componente rural, é imperativo que se estabeleçam lógicas de monitorização e actualização quer dos dados antigos, quer de novos sítios localizados no espaço do concelho de Évora. O compromisso é, posto isto, e na medida do possível, tentar estabelecer linhas de comunicação com os vários organismos oficiais estabelecidos no território (ex: Juntas de Freguesia; Universidade; Fundação Eugénio de Almeida, etc) e particulares (ex: proprietários de herdades). Neste ponto, não é de invalidar a colaboração informal do “arqueólogo amador”, que não amiúde, em sucessivas batidas de campo, poderá trazer a lume importantes informações de outra forma impossíveis de obter.

4. Aplicação e integração em base de dados das informações respeitantes ao Centro Histórico de Évora

A introdução, na mesma base de dados, das informações respeitantes ao Centro Histórico assume o seu carácter de uniformização de toda a informação num único suporte informático. Comprometemo-nos, no seguimento, a estabelecer lógicas de acompanhamento de qualquer intervenção realizada no CHE, cruzando estas informações com as já disponibilizadas na Carta de Sensibilidade Arqueológica (CSA). Assumindo igual tratamento a espaço rural e urbano, o compromisso e/ou objectivos serão a utilização de uma metodologia única, facilitando-se os processos de intervenção e trabalho na área.

5. Criação de cartografia especifica para todo o concelho

Neste ponto, o que pretendemos é a criação de elementos de correspondência visual com as leituras encetadas no terreno. O recurso às tecnologias de geo-referenciação (SIG) serão, posto isto, fundamentais para integrar dados com cartografia específica. Em última análise este ponto antecede a criação de uma extensa cartografia relativa ao património eborense que, no seguimento da recente revisão do PDM, é uma importante ferramenta de planeamento e valorização territorial.

6. Criação de um projecto para disponibilizar a informação via online, com a realização de um site específico integrado no site principal da CME

Neste ponto, atendendo à metodologia já implementada além-fronteiras, bem como ao seguimento da disponibilização do Plano Director Municipal via Internet, é importante que se consiga projectar um site especificamente direccionado para esta temática, assumindo o seu carácter pioneiro em território nacional. As razões para tal prendem-se com a necessidade de disponibilizar, de forma rápida, um volume de dados que, de outra forma, seria impossível de sistematizar. Este tipo de informação, regra geral somente acessível a uma percentagem ínfima de especialistas e estudiosos, abarcaria assim um outro público, alargando-se consideravelmente o espectro daqueles que poderiam intervir nesta área, com contribuições várias (ex: estudantes; proprietários dos terrenos onde se localizam muitos e desconhecidos elementos patrimoniais; proprietários de habitações urbanas que estariam mais atentos a achados nas suas propriedades; instituições com responsabilidades várias na área do património, etc).

7. Realização de estudos e artigos intercalares que visam a divulgação do trabalho da Câmara na área e consequente valorização do património do concelho

O compromisso aqui, será o da produção de informação num suporte mais imediato e menos técnico, no sentido de divulgar e informar a generalidade da população dos trabalhos nesta área. Dentro do possível, tentar-se-á estabelecer um método de divulgação único, como forma de preparar uma publicação final, de carácter mais científico, onde seria compilada toda a informação recolhida durante a execução do projecto.

8. Realização e publicação da Carta Arqueológica do Concelho de Évora

A sistematização dos dados envolve a sua divulgação num suporte reconhecível e universal, de acesso universal. Neste ponto, é fundamental que a Câmara Municipal de Évora, dada a natureza e riqueza particular do seu património invista na sua divulgação. Assumindo que a criação de um site específico poderia colmatar algumas particularidades dessa missão, uma publicação em suporte de livro dignifica e promove a imagem da CME, assumindo, e apesar da constante evolução deste tipo de trabalho, uma marca fundamental e novamente pioneira num contexto português.

MODELO APLICADO.
Base de Dados e Campos Constituintes

Sabendo que não existe, nem pode existir, um modelo universal de bases de dados (encontra-se sempre dependente de diversos parâmetros, onde se poderão destacar os objectivos do trabalho, bem como a natureza do objecto a trabalhar), vimo-nos no imperativo de consultar quem já deu provas na área.
Em reunião com o Prof. Dr. Manuel Calado, conseguimos afinar os nossos critérios de pesquisa, bem como a formulação de um modelo de dados aplicável à realidade patrimonial eborense, nas suas vertentes rurais e urbanas. Tal base não pretende definir uma sistematização de campos final. Pretende apenas atingir um ponto de equilíbrio entre a coerência informativa e a quantidade de informação relevante.
Neste sentido, existem campos de finalidade indefinida, que servem como os auxiliares óbvios a outros que não poderão ser definitivos como elemento de informação. Referimo-nos, em particular, aos campos ´ÉPOCA´ e ´TIPO´, introduzidos tendo como modelo o thesaurus do ex-Instituto Português de Arqueologia (IPA).
Ou seja, muito daquilo que irá ser preenchido, será na tentativa de harmonizar o que já foi feito por Manuel Calado, assumindo novos campos especificamente direccionados para a realidade urbana do CHE (ex: Grau de Sensibilidade Arqueológica), com alguns elementos de bases já existentes no território português.
Posto isto, os campos escolhidos são os seguintes:

1. N_ORDEM: número identificativo do sítio na base de dados;
2. DESENHO: eventuais levantamentos do sítio e/ou planta de localização;
3. DESIGNAÇÃO: nome do sítio atribuído pela proximidade de topónimo (espaço rural); nome de rua e/ou número de polícia;
4. MICRO_TOPÒNIMO: designação em Plano de Urbanização (Março de 2000) do imóvel, quando existente (regime urbano); outros nomes pelos quais se reconhece o sítio, de atribuição vernácula e/ou popular (ambiente rural);
5. CARTA_MILITAR: somente aplicável na realidade rural. Número da carta militar onde está inserido o sítio;
6. FREGUESIA: nome da freguesia onde se localiza o sítio;
7. RIGOR: rigor da marcação geo-referenciada do sítio;
8. MERIDIANO: cota X do sítio (elemento SIG);
9. PARALELO: cota y do sítio (elemento SIG);
10. ÉPOCA: de acordo com o campo “Período Histórico” do thesaurus do ex-IPA. Poderá ser preenchido por mais do que uma entrada;
11. TIPO: de acordo com o campo “Tipo de Sítio” do thesaurus do ex-IPA. Poderá ser preenchido por mais do que uma entrada;
12. DESCRIÇÃO: pequena referência ao sítio arqueológico, com sucinta descrição de eventuais achados;
13. FOTOS: referência ao número de fotos tiradas no e sobre o sítio. Remeter para uma base fotográfica paralela;
14. OBSERVAÇÕES: campo abrangente, que serve para acrescentar dados relativos ao sítio, que não tenham lugar em mais nenhum dos campos (ex: cronologias paralelas; achados paralelos; curiosidades, etc);
15. BIBLIOGRAFIA: introduzir bibliografia sobre o sítio, informações orais e relatórios arqueológicos inéditos;
16. PROTECÇÃO: protecção legal em vigor, quando existente. Poderá ser preenchido com a entrada “em vias de classificação”;
17. DECRETO-LEI: número e ano do documento legislativo que regula a protecção legal do sítio;
18. GRAU_SA: Grau definidor de uma sensibilidade arqueológica, na linha do documento Carta de Sensibilidade Arqueológica para o Centro Histórico de Évora. Somente aplicável no CHE;
19. PROPRIETÀRIO: referência, quando possível, do proprietário e/ou proprietários do espaço em que se insere o sítio arqueológico.
20. ESTADO DE CONSERVAÇÃO E AMEAÇAS: referência ao estado de conservação do elemento patrimonial e, sempre que se justifique, alusão às ameaças e aos riscos que possam colocar em perigo o monumento\sítio.


Sítios da Pré história recente (fig.1) e Proto história (fig.2) no Concelho de Évora

Megalitismo funerário (fig.1) e não funerário (fig.2) do Concelho de Évora

Sítios Romanos (fig.1) e Medievais\Modernos (fig.2) do Concelho de Évora.

Distribuição do total dos sítios arqueológicos identificados no Concelho de Évora.